quinta-feira, 10 de outubro de 2013
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
SÃO FRANCISCO DE ASSIS
São Francisco nasceu Giovanni di Pietro di Bernardone, em 1182, na cidade de Assis, Itália, em uma família rica, ligada ao comércio. Bem jovem participou de uma guerra na cidade de Perúsia, ficando prisioneiro por meses. De volta para casa, doente, começou a pensar e agir de maneira diferente: passou a rejeitar o dinheiro e as coisas mundanas, que, antes, tanto lhe interessavam, para dedicar-se às orações e à filantropia. Certa vez, vendeu mercadorias para dar dinheiro aos pobres e comprar material de construção para completar a reforma de uma igrejinha, o que arrefeceu conflitos familiares. Deserdado, entrou de vez para a vida religiosa, fundando a Ordem dos Frades Menores e a Ordem Terceira. Conta-se que dois anos antes de sua morte (1226) Francisco recebeu os estigmas de Jesus crucificado em seu próprio corpo. São Francisco de Assis foi canonizado pelo Papa Gregório IX, em 1228. É considerado o patrono dos animais e do meio ambiente. Pregava a igualdade entre todos os seres. Atribui-se a ele a criação do presépio, nas comemorações natalinas. É um santo católico muito popular, aqui no Brasil.
Oração de São Francisco de Assis
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.
Antônio José da Silva é natural de Goiana / PE. TOG, como é conhecido artisticamente, começou a trabalhar em 1979, criando em barro, peças regionais e folclóricas. Posteriormente, passou a criar, também, peças bíblicas. Participa de feiras e eventos, em Pernambuco e no país, tendo obras premiadas.
O São Francisco de Assis acima fotografado foi adquirido no espaço em Goiana, cidade a 62 km de Recife, através da BR 101 Norte. Mais informações sobre o artesão TOG e sua obra no site http://www.nacaocultural.com.br/tog/
Música: SÃO FRANCISCO / Autoria: Vinícius de Moraes / Intérprete: Ney Matogrosso
SÃO FRANCISCO
Autoria: Vinícius de Moraes / Intérprete: Ney Matogrosso
Lá vai São Francisco
Pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho
Dormindo à noite
Junto ao moinho
Bebendo a água
Do ribeirinho.
De pé no chão
Levando nada
No seu surrão
Dizendo ao vento
Bom-dia, amigo
Dizendo ao fogo
Saúde, irmão.
Lá vai São Francisco
Pelo caminho
Levando ao colo
Jesuscristinho
Fazendo festa
No menininho
Contando histórias
Pros passarinhos.
Vinicius de Moraes um brasileiro múltiplo: poeta, compositor, dramaturgo e diplomata. Em parceria com Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim) escreveu a "Garota de Ipanema" um hino da música popular brasileira. Nasceu em 1913 e faleceu em 1980.
Obra de Vinícius de Moraes
Caminho Para a Distância, poesia, 1933
Forma e Exegese poesia, 1936
Novos Poemas, poesia, 1938
Cinco Elegias, poesia, 1943
Poemas, Sonetos e Baladas,
poesia, 1946
Pátria Minha, poesia, 1949
Orfeu da Conceição, teatro, em
versos, 1954
Livro de Sonetos, poesia, 1956
Pobre Menina Rica, teatro,
comédia musicada, 1962
O Mergulhador, poesia, 1965
Cordélia e O Peregrino, teatro,
em versos, 1965
A Arca de Noé, poesia, 1970
Chacina de Barros Filho, teatro,
drama
O Dever e o Haver
Para Uma Menina com uma Flor,
poesia
Para Viver um Grande Amor,
poesia
Ariana, a Mulher, poesia
Antologia Poética
Novos Poemas II
S O S
Thelma Regina Siqueira Linhares
São Francisco de Assis
o teu xará rio nordestino
- o Velho Chico –
clama socorro!
poluído
represado
não quer ser esticado
quer, sim, ser respeitado
revitalizado
para cumprir seu destino.
Ele
que já foi considerado o rio da integração nacional
e já teve transformado seu curso natural
só quer continuar sua sina
de Minas à Alagoas
pois a seca nordestina
não se resolve só com barragens
que modificam paisagens.
Muito mais é preciso
atitude, ética e juízo
pois se até seus mitos e carrancas
já não assustam mais?!...
O que pode fazer um rio...
sozinho?
Thelma Regina Siqueira Linhares
São Francisco de Assis
o teu xará rio nordestino
- o Velho Chico –
clama socorro!
poluído
represado
não quer ser esticado
quer, sim, ser respeitado
revitalizado
para cumprir seu destino.
Ele
que já foi considerado o rio da integração nacional
e já teve transformado seu curso natural
só quer continuar sua sina
de Minas à Alagoas
pois a seca nordestina
não se resolve só com barragens
que modificam paisagens.
Muito mais é preciso
atitude, ética e juízo
pois se até seus mitos e carrancas
já não assustam mais?!...
O que pode fazer um rio...
sozinho?
www.usinadeletras.com.br 07/09/2007
sábado, 21 de setembro de 2013
SOCIALIZANDO BLOG - http://nastrilhasdaliteratura.blogspot.com.br
Acabei de descobrir o blog da professora NEIDE MEDEIROS SANTOS http://nastrilhasdaliteratura.blogspot.com.br e gostaria de socializar para boas leituras
ERA UMA VEZ UMA ÁRVORE
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ-PB)
Tenho uma árvore que me espia pela janela, e decidi que ela é minha, mesmo sabendo que ela dá sombras para todos aqueles que passam pela rua.
( Bartolomeu Campos de Queirós. A Árvore)
Ser dono de uma árvore que serve também de morada para os passarinhos e pequenos insetos é a temática do livro de Bartolomeu Campos de Queirós, “A Árvore”, ilustrado por Mário Cafiero , uma publicação da Editora Paulinas (2010).
Cada animalzinho é examinado e descrito com muita poeticidade por esse escritor que busca na infância – que vive em sua memória – os assuntos para os seus livros. Vamos visitar a árvore e conhecer os personagens dessa história.
Os passarinhos pousam e repousam nos galhos. Às vezes cantam, outras vezes “ficam calados para bem escutar o mar”. (p.7). Os ninhos são costurados com as agulhas dos bicos e os ovos são escondidos em espumas do mar.
As borboletas evocam saudades. Se as borboletas não chegam, instala-se um estado de saudade e “saudade só é saudade de coisas boas” (p.8)
As cigarras cantam a mesma canção todo dia e se camuflam entre as cores das folhas. “Elas têm asas de papel celofane, mais transparentes do que as palavras”. (p.10)
Os grilos não cantam, eles gritam e gritam “tão alto que até violino guarda inveja.” (p.11)
Engana-se quem pensa que as lagartas só servem para roer as folhas, elas têm vocação para rendeira.
As formigas já nascem com vontade de comer açúcar. “Se a árvore tem alguma resina ou flor doce, as formigas ficam mais resignadas”. (p. 15)
As abelhas são interesseiras. Elas sabem o local que as folhas escondem o mel e acariciam com suas delicadas perninhas o pólen, extraindo o açúcar que está escondido.
Da janela da sala, o dono da árvore navega em frágeis barcos sem bússola ou vela.
Ele desconfia que a árvore guarde esperanças escondidas, ela o faz pensar . Sentado no sofá, deita o olhar sobre a árvore e aprende muitas lições, é a professora verde que todo dia ensina que a liberdade “permite até viver em um mesmo lugar, a vida inteira, contemplando uma árvore crescendo para o céu”. (p. 32)
Mário Cafiero já ilustrou vários livros de Bartolomeu Campos de Queirós e afirma que cada livro do escritor mineiro lhe traz sempre uma surpresa. Surpresa que se manifesta com a beleza de suas palavras e a seriedade que ele dispensa à literatura brasileira.
Bartolomeu percorre as mesmas águas de Cecília Meireles, são irmãos das coisas fugidias. O poeta vê sempre, com um novo olhar, um rio de águas mansas que passa pelas pequenas cidades mineiras, fica enternecido diante de um passarinho que pousa na varanda de sua casa e agora é dono de uma árvore que está plantada na sua rua. Reinventa os fatos e escreve textos poéticos como “A Árvore”.
http://nastrilhasdaliteratura.blogspot.com.br/2010/12/era-uma-vez-uma-arvore-bartolomeu_18.html
"Nas Trilhas da Literatura
Tecer considerações sobre livros e autores a
partir da literatura produzida para crianças e jovens no Brasil.
Os textos deste espaço estão disponíveis para pesquisa; devendo-se, em
caso de citação, indicar a fonte, conforme a legislação em vigor:
LEI Nº 9.610"
ERA UMA VEZ UMA ÁRVORE-Bartolomeu Campos de Queiros
ERA UMA VEZ UMA ÁRVORE
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ-PB)
Tenho uma árvore que me espia pela janela, e decidi que ela é minha, mesmo sabendo que ela dá sombras para todos aqueles que passam pela rua.
( Bartolomeu Campos de Queirós. A Árvore)
Ser dono de uma árvore que serve também de morada para os passarinhos e pequenos insetos é a temática do livro de Bartolomeu Campos de Queirós, “A Árvore”, ilustrado por Mário Cafiero , uma publicação da Editora Paulinas (2010).
Cada animalzinho é examinado e descrito com muita poeticidade por esse escritor que busca na infância – que vive em sua memória – os assuntos para os seus livros. Vamos visitar a árvore e conhecer os personagens dessa história.
Os passarinhos pousam e repousam nos galhos. Às vezes cantam, outras vezes “ficam calados para bem escutar o mar”. (p.7). Os ninhos são costurados com as agulhas dos bicos e os ovos são escondidos em espumas do mar.
As borboletas evocam saudades. Se as borboletas não chegam, instala-se um estado de saudade e “saudade só é saudade de coisas boas” (p.8)
As cigarras cantam a mesma canção todo dia e se camuflam entre as cores das folhas. “Elas têm asas de papel celofane, mais transparentes do que as palavras”. (p.10)
Os grilos não cantam, eles gritam e gritam “tão alto que até violino guarda inveja.” (p.11)
Engana-se quem pensa que as lagartas só servem para roer as folhas, elas têm vocação para rendeira.
As formigas já nascem com vontade de comer açúcar. “Se a árvore tem alguma resina ou flor doce, as formigas ficam mais resignadas”. (p. 15)
As abelhas são interesseiras. Elas sabem o local que as folhas escondem o mel e acariciam com suas delicadas perninhas o pólen, extraindo o açúcar que está escondido.
Da janela da sala, o dono da árvore navega em frágeis barcos sem bússola ou vela.
Ele desconfia que a árvore guarde esperanças escondidas, ela o faz pensar . Sentado no sofá, deita o olhar sobre a árvore e aprende muitas lições, é a professora verde que todo dia ensina que a liberdade “permite até viver em um mesmo lugar, a vida inteira, contemplando uma árvore crescendo para o céu”. (p. 32)
Mário Cafiero já ilustrou vários livros de Bartolomeu Campos de Queirós e afirma que cada livro do escritor mineiro lhe traz sempre uma surpresa. Surpresa que se manifesta com a beleza de suas palavras e a seriedade que ele dispensa à literatura brasileira.
Bartolomeu percorre as mesmas águas de Cecília Meireles, são irmãos das coisas fugidias. O poeta vê sempre, com um novo olhar, um rio de águas mansas que passa pelas pequenas cidades mineiras, fica enternecido diante de um passarinho que pousa na varanda de sua casa e agora é dono de uma árvore que está plantada na sua rua. Reinventa os fatos e escreve textos poéticos como “A Árvore”.
sábado, 7 de setembro de 2013
PASSEANDO NO SÍTIO DA TRINDADE - http://www.cyberartes.com.br/artigo/?i=1705&m=43
http://www.cyberartes.com.br/artigo/?i=1705&m=43

Em 2010, o PMBFL-Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores participou de um evento realizado no Sítio da Trindade e eu fui indicada para representa-lo. Chegando cedinho, caminhei pelo espaço e fiz várias fotos, escolhendo algumas para compor material que, posteriormente, enviei para o Cyberartes, que agora veicula. Agradecida a Rê Rodrigues e ao Ronaldo Carneiro Leão por mais essa oportunidade.
Thelma Regina

Em 2010, o PMBFL-Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores participou de um evento realizado no Sítio da Trindade e eu fui indicada para representa-lo. Chegando cedinho, caminhei pelo espaço e fiz várias fotos, escolhendo algumas para compor material que, posteriormente, enviei para o Cyberartes, que agora veicula. Agradecida a Rê Rodrigues e ao Ronaldo Carneiro Leão por mais essa oportunidade.
Thelma Regina
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
22 de agosto
Texto publicado no www.usinadeletras.com.br,
em 24/08/2002. Seis anos depois, no http://thelmaregina.blogspot.com.br/2008/08/22-de-agosto.html e
hoje, reedição, com cópia nos outros dois blogs.
22 DE AGOSTO
Thelma Regina Siqueira Linhares
Além de rimar com desgosto, o mês de Agosto traz em seus dias
a comemoração do Dia Mundial do Folclore. Precisamente, o dia 22. Data dedicada
a tudo que traduz “o pensar, sentir e agir de um povo” como tão definitivamente
definiu Luís da Câmara Cascudo, o mais completo folclorista brasileiro.
O vocábulo Folclore foi criado em 1846, pelo antropólogo
inglês William John Thoms. Mas, muito tempo atrás, ainda na Antiguidade,
escritores, pensadores e filósofos atentaram para alguns fatos folclóricos
dedicando-lhes estudos e importâncias na construção do conhecimento de povos,
culturas e civilizações.
A vivência do Folclore há muito retrocede no tempo. Talvez,
àquele exato momento em que os primeiros seres humanos se definiram como tal,
na linha divisória com os outros primatas. Observando a natureza, buscando a
sobrevivência da espécie, dando identidade própria a determinado grupo social,
enfim, promovendo aprendizagens e socializando conhecimentos incorporados às
tradições e transmitidas oralmente através das gerações.
À tradição e à oralidade, junta-se o anonimato e a
funcionalidade do fato para torná-lo folclórico. Do contrário, apenas um fato
popular ou pitoresco.
E como é variado o leque dos fatos folclóricos! Cantigas de
ninar e acalanto. Cantigas de roda. Histórias da carochinha, lendas e mitos.
Brinquedos e brincadeiras populares. Ditados populares, provérbios, frases de
pára-choques de caminhão. Parlendas, trava-línguas. Adivinhações, crendices e
superstições. Comidas e bebidas típicas. Tipos populares. Artesanato. Medicina
popular. Entre tantos.
E tem fato folclórico para todo gosto e idade.
Ainda no ventre da mãe, adivinhações e crendices buscam a
identificação do sexo do feto. Ao nascer, braços carinhosos, solícitos e
cuidadosos protegem o bebê que cresce e vai se apropriando da cultura em que
está inserido. Pela transmissão. Pela oralidade. Pela tradição.
Na creche ou na escola se acelera a socialização infantil. As
brincadeiras e cantigas de roda, as parlendas, as histórias da carochinha, etc.
povoam a imaginação, exercitam à criatividade, ampliam vocabulário. Na infância
e adolescência, brincadeiras populares, folguedos, crendices e superstições. Na
idade adulta e velhice, comidas e bebidas típicas, crendices... E a história se
repetindo, se reinventando, se reescrevendo.
22 de Agosto.
Bela data para rever valores. Inclusive, ocasião para reverter
preconceitos de considerar Folclore uma ciência de menor importância para a
humanidade. Neil Armstrong ao deixar sua pegada no solo lunar citou ser aquele
“um grande passo para a humanidade” e lá ficou a marca do seu pé direito...
para dar sorte, com certeza!
22 de Agosto.
Também é data de lembranças. Da festa do Folclore na FUNDAJ,
tendo por anfitrião o folclorista Mário Souto Maior. Encontro de amigos.
Socialização de saberes. Comes e bebes autenticamente nordestinos...
22 de Agosto.
Viva o Folclore!
Recife, 24/08/2002.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
FOLCLOREANDO NA ESCOLA - Vivências de Folclore em sala-de-aula no Ensino Fundamental
interessante observar que o presente texto foi escrito e publicado em 2001, há mais de uma década, anterior, portanto, a algumas leis que ampliam a educação brasileira, por exemplo,
LEI Nº 11.645, DE
10 MARÇO DE 2008 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm
necessitando de ajustes, caso seja usado como material de apoio em projetos didáticos.
FOLCLOREANDO NA
ESCOLA (*)
Vivências de Folclore em sala-de-aula no Ensino Fundamental
Vivências de Folclore em sala-de-aula no Ensino Fundamental
Thelma Regina Siqueira
Linhares
Pensar, falar, escrever, pesquisar sobre o folclore é sempre
muito prazeroso porque se trata de vivências, antigas ou atuais, compartilhadas
ao longo de gerações. Afinal, traduz o pensar, sentir e agir do povo, como
definiu Luís da Câmara Cascudo. (1)
A palavra folclore vem do inglês - folk lore - e foi inventada em 1846, pelo sociólogo Willians
Thomes, significando saber (folk) do
povo (lore). No Brasil, o termo
traduz tudo aquilo que, compartilhado pelo povo, caracteriza a sua própria
identidade, a sua brasilidade e/ou, então, aquilo que é peculiar a uma região,
a uma localidade menor, ou até mesmo, a um grupo social específico.
Para que um fato seja considerado folclore é preciso que
alguns fatores, em conjunto, sejam considerados. Do contrário, é um fato
social, popular .
Anonimato: no
fato folclórico, o autor ou inventor conhecido se perdeu no tempo. Foi
despersonificado.
Aceitação coletiva:
inventado e aceito, o fato passa a ser repetido, vivenciado, modificado,
acrescido. O povo passa a incorporá-lo como seu.
Transmissão: o
fato é passado às novas gerações pela transmissão, preferencialmente, oral. A
aprendizagem, quase sempre, é informal e lúdica – aprende-se por aprender,
fazendo brincando. Hoje, os meios de comunicações em massa, acessíveis a
parcelas cada vez maiores da população e a escolarização em índices sempre
crescente, reduzem a importância da oralidade no processo de perpetuação do
fato folclórico. Identificando na perpetuação do folclore o dinamismo que o
caracteriza: folclore é vida!
Funcionalidade: o
fato folclórico existe para atender alguma função ou necessidade, uma razão de
ser, um porquê, que pode, inclusive, já se ter perdido no tempo.
São inúmeras e variadas as manifestações folclóricas,
vivenciadas no coletivo e, às vezes, com conotações bem individualizadas.
Desejar saúde para quem espirra, ter o número 13 como de azar ou sorte, cantar
atirei o pau no gato, comer uma canjica, dançar uma quadrilha, comprar um
bumba-meu-boi de barro, empinar um papagaio ou pipa, usar branco na passagem de
ano, etc. etc. são alguns exemplos de manifestações folclóricas vivenciadas em
diferentes etapas da vida e em oportunidades e freqüência, igualmente,
variadas.
O folclore direcionado às crianças, talvez, seja o mais rico
em manifestações. E, com certeza, é o que mais belas lembranças trazem.
Cantigas de ninar ou
acalanto: Começa no berço o aprendizado do folclore. Com que amor a mãe ou
a figura materna canta para adormecer o bebê!
Dorme nenen
Que a cuca vem pegar
Mamãe foi pra roça
Papai foi trabalhar.
Cantigas de roda:
expressão maior da infância, particularmente, das meninas. Importante
instrumento de socialização nas escolas de Educação Infantil (creche e
pré-escola). Os livros didáticos de Educação Infantil e das primeiras séries do
Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries), regularmente, trazem esta manifestação
folclórica em suas páginas.
Pai Francisco entrou na roda
Tocando o seu violão
Delém, dém, dém (bis)
Vem de lá seu delegado
Que Pai Francisco
Saiu da prisão.
Quando ele vem
Se requebrando
Parece um boneco
Se desmanchando. (bis)
Histórias de trancoso
ou da carochinha: quem não
guarda na memória passagens inesquecíveis de suas histórias prediletas e que
dividem, com os super-heróis televisivos, o imaginário infantil? Cinderela, Branca de Neve, Os Três
Porquinhos.
Brinquedos populares:
brinquedos confeccionados artesanalmente ou não e que fazem a alegria da
garotada, em particular, as das camadas sócio-econômicas mais
desfavorecidas. pipa (papagaio), pião, mané-gostoso, bruxinha de pano, iô-iô, rói-rói.
Brincadeiras infantis:
brincadeiras vivenciadas, principalmente, pela garotada dos bairros mais
populares, morros e periferias do Recife. Sujeitas a modismos. pular academia (amarelinha), pular elástico
e corda, soltar papagaio (pipa), jogar bola de gude, pião, brincar de estátua,
telefone-sem-fio.
Adivinhações:
perguntas que se faz, geralmente, usando a expressão “o que é o que é?” e que a
criançada se apressa em resolver os desafios e enígmas. O que é o que é?Tem coroa e não é rei? Tem espinhos e não é rosa? (Resposta:
abacaxi)
Parlendas:
brincar com as rimas das palavras é preferência da garotada, em especial, nos
primeiros anos de escolaridade.
Um, dois - feijão com arroz.
Três, quatro - farinha no prato
Cinco, seis - tudo outra vez
Sete, oito - como biscoito
Nove, dez - besta tu és.
Trava-língua:
brincar com as palavras que, em combinações complicadas, devem ser ditas rápida
e repetitivamente.
Na casa de seu Saldanha tinha uma jarra e
dentro da jarra uma aranha.
A aranha arranha a jarra e a jarra arranha a
aranha. (bis)
Lendas: histórias
que tentam dar explicações a fenômenos da natureza, a seres vivos e
imaginários. Negrinho do pastoreio,
Cumade Fulozinha , Saci-pererê, Boitatá, Sereia, Boto cor-de-rosa, do Milho, da
Mandioca.
Quadrinhas: as
meninas, especialmente ao entrar na adolescência, usam esta manifestação
folclórica para expressar a descoberta do amor.
Com a escrevo amor
Com p escrevo paixão
com e escrevo Edvaldo
Que é dono do meu coração.
Mitos folclóricos:
seres do imaginário coletivo que têm existência própria e estão associados às
lendas. Saci-pererê, Sapo-cururu, Cuca,
Boitatá, Iara, Caipora, Mula-sem-cabeça, Curupira Lobisomem.
Piadas ou anedotas:
histórias engraçadas ou até imorais que fazem a graça em rodinhas de amigos,
algumas vezes, regadas por cervejas. Piadas de português, de papagaio, de Juquinha,
discriminatórias (de negros, pobres, deficientes físicos, homossexuais).
Medicina popular:
uso das plantas que curam, de uma farmácia vinda diretamente da natureza.
Sabedoria tradicionalíssima usada, em especial, pelas camadas da população mais
pobres e por aqueles adeptos da medicina alternativa e natural. Médicos e
demais profissionais da saúde, vem dando importância a esta terapia, objeto de
estudos cada vez mais difundido nos meios acadêmicos, científicos e
farmacêuticos. Boldo, hortelã, língua de
sapo, alfavaca, canela, gengibre, biribiri, mastruz.
Literatura de cordel
ou folheto: literatura popular e tradicional, talvez, o principal meio de
comunicação entre as camadas mais populares, até as primeiras décadas do século
XX. Muitas vezes associada ao canto. O poeta-trovador, através de desafios e
causos, levava conhecimento e diversão à platéia, que acompanhava atenta. Estórias
de animais, de amor, de religião, de banditismo, mitológicas (com motivos
de morte, magia, sorte ou agouro), de
fatos acontecidos.
Xilogravura:
artesanato da gravura, do desenho. Associada, principalmente, ao folheto, à
literatura de cordel. Cenas da natureza e do cotidiano do sertanejo costumam
ter destaque na temática da xilogravura.
Artesanato: usando material diverso (palha, barro, madeira, pano, papel, gesso, plástico, cera, contas, miçangas, sementes) e muita criatividade, o artesão concretiza o imaginado, criando objetos utilitários,votivos ou estéticos. Peças de barro da escola de Mestre Vitalino, Caruaru (PE), rendas de Passira (PE), Carrancas do Rio São Francisco (PE e BA), Colares hippies.

Provérbios/Ditados
populares: pensamentos, frases feitas, máximas, cujas mensagens objetivam
interferir, positivamente, na conduta e no comportamento. Filosofia, moral,
ética e religião transparecem explícitas ou nas entrelinhas. Água mole em pedra dura tanto
bate até que fura.
Frases de para-choques de caminhão: frases de cunho moral,
religioso e até imoral, difundidas pelos caminhoneiros em seus veículos. Dirigido por mim, guiado por Deus. Vou
arranjar ½ de rezar 1/3 para ir a ¼ com você. 20 ver.
Superstições:
práticas de comportamentos para afastar e/ou neutralizar azar para dar e/ou
atrair sorte. São reforçadas pelas coincidências de resultados considerados. Número 13, figa, ferradura, determinada
roupa, repetir comportamento, não passar debaixo de escada, desvirar roupas e
calçados, bater na madeira.
Crendices:
fórmulas para manter determinados comportamentos, condicionados pela crença do
faz mal ou do faz bem. Faz mal tomar
leite e comer manga. Deixar chinelos emborcados provoca a morte de pessoa
querida. Pular janela causa a morte da mãe.
Comidas típicas:
características a determinadas localidades geográficas e ciclos folclóricos,
muitas vezes, incorporadas à culinária trivial e cotidiana deixando, com
certeza, água na boca e dando um sabor especial ao folclore brasileiro. Canjica, pamonha, pé-de-moleque caracterizam
o ciclo junino, em especial, no Nordeste. Churrasco, feijão tropeiro apreciados
no sul do país. Feijoada, baião-de-dois, vatapá, acarajé, pato ao tucupi. Bebidas
típicas: versão líquida da culinária incluída no folclore brasileiro. Batida de
maracujá, licor de jenipapo, chimarrão, caipirinha.
Folguedos populares:
identificados com os principais ciclos folclóricos. Bumba-meu-boi, Pastoril, Reisado, Fandango.
Danças folclóricas:
associadas a folguedos, ritmos e músicas ilustram a diversidade e riqueza do
folclore brasileiro. Algumas dessas danças possuem trajes típicos, que lhes dão
identidade própria. Frevo, Xaxado, Coco,
Ciranda, Forró, Maracatu, Caboclinho, Quadrilha.
Os folcloristas costumam, didaticamente, identificar ciclos
no folclore brasileiro e que são vivenciados, em todo o território nacional,
com intensidade e características próprias.
Ciclo Carnavalesco:
tem as folias de Momo como referência onde predominam a alegria, cores,
descontração e irreverência. Frevo,
Maracatu, Caboclinho, Urso, Máscaras, Fantasia.
Ciclo da Quaresma ou Semana Santa: referem-se à Paixão e
Morte de Jesus Cristo. A malhação de
Judas e a culinária à base de coco.
Ciclo Junino:
iniciado no dia de São José (19 de março) com o plantio do milho, tem a
culminância com os Santos de junho: Santo Antônio – o casamenteiro (13), São
João (23) e São Pedro e São Paulo (29). Este ciclo é muito festejado no
Nordeste, caracterizando-se pela alegria, cores, festanças e uma gostosa
culinária, à base do milho. Forró, baião,
banda de pífano. Quadrilhas, roupas matuta. Balões, fogos de artifício.
Superstições e adivinhações para resolver problemas amorosos. Comidas típicas:
pamonha, canjica, pé-de-moleque, milho assado e cozido. Quentão.
Ciclo Natalino: o
nascimento (Natal) de Jesus Cristo é o tema central deste ciclo. A
solidariedade, o amor ao próximo e a Deus, aparecem, explicitamente ou nas
entrelinhas, em todas as manifestações do período. Pastoril, Presépio, Papai Noel, troca de presentes. Superstições,
crendices. Comidas típicas.
Os órgãos oficiais de turismo, cientes da motivação que tais ciclos exercem, concentram esforços junto à mídia, para divulgação nas demais regiões do Brasil e no exterior, sabedores de que divisas ficarão com o fluxo maior de turistas nesses eventos.
No entanto, é imprescindível ter a clareza que, folclore,
popular e turismo não são exatamente a mesma coisa, embora, quase sempre
estejam associados. Atentar para isso é importante para professores e bom para
o folclore.
Pernambuco possui um número considerável de pessoas que fazem
e/ou vivem o folclore. Algumas conhecidas e famosas. A maioria, desconhecida e
anônima.
Na Cerâmica,
os bonecos de barro, têm em Mestre Vitalino seu maior nome. Fez escola, ainda
hoje seguida, por filhos, netos e conterrâneos de Caruaru. Naquela cidade há o
museu em sua memória, na casa onde viveu.
Nas
Carrancas do Rio São Francisco, destaca-se Ana das Carrancas.
Na Cerâmica
dos santos de barro, cita-se Zezinho de Tracunhaém.
Na
xilogravura, J. Borges, é um artesão do desenho, além de poeta popular. Suas xilogravuras
ilustram folhetos, quadros e painéis.
Na Ciranda,
duas mulheres se destacam, em especial nas décadas de 60 e 70, quando,
semanalmente, comandavam rodas de ciranda em suas respectivas cidades: Lia de
Itamaracá, na ilha de Itamaracá e Dona Duda, no Janga, Paulista.
No Coco,
destaca-se Dona Selma do Coco, descoberta pela mídia televisiva, em 1997,
quando após gravar CD, apresentou-se pelo país e Europa, em programas de
televisão, casas de espetáculos e festivais.
No frevo,
personificando-o destaca-se Nascimento do Passo, que há décadas faz escola e
ensina os segredos do frevo a passistas de todas as idades em escola municipal
e oficinas. Nos últimos anos, a garota Safira tem recebido apoio dos órgãos
oficiais de turismo para divulgação do frevo pernambucano.
Os bonecos
gigantes de Olinda são cada vez mais populares nas ladeiras daquela cidade
tornando-se expressão característica do seu carnaval. Sílvio Botelho é o
principal artesão, o pai dos bonecos gigantes. Homem da Meia-noite, Mulher-
do-dia, Menino da Tarde, Gilberto Freyre, Capiba, Turista.
Maracatu
rural destaca-se Mestre Salustiano.
Mamulengo ou
fantoche é outra modalidade do folclore brasileiro destacando-se Mestre Tiridá
e os bonecos de Lobatinho.
O folclore brasileiro vem sendo estudado, sistematicamente, durante todo o século XX embora, só em 1966 teve o dia 22 de agosto, lhe dedicado oficialmente, por decreto-lei.
Pereira da
Costa foi um dos pioneiros nos estudos folclóricos.
Luís da
Câmara Cascudo, com certeza, o maior pela sistematização didática e pela
extensa bibliografia.
Renato
Almeida, Edson Carneiro, Théo Brandão, Saul Martins, Waldemar Valente, Roberto
Benjamim são nomes de destaque entre os folcloristas, de ontem e de hoje.
Mário Souto
Maior, que durante muitos anos, esteve à frente da Coordenadoria dos Estudos
Folclóricos, da FUNDAJ, foi exemplo de dedicação ao folclore. Dicionário do
Palavrão, Nomes próprios pouco comuns, Comes e bebes do Nordeste, Assim nasce
um cabra da peste são alguns das dezenas de títulos do referido pesquisador,
que também escreveu para o público infantil.
O professor de Educação Infantil (creche e pré-escola) e,
principalmente, o de Educação Fundamental (1ª a 8ª série) tem no folclore panos
para as mangas. Conteúdo significativo para trabalhar, não apenas no mês de
agosto, mas o ano todo, todo ano. Não só os temas integrantes da pluralidade
cultural, como diferentes conteúdos, das áreas específicas do conhecimento,
podem ser abordados a partir de um fato ou manifestação folclórica. Os PCNs –
Parâmetros Curriculares Nacionais (2) garantem a interdisciplinaridade que,
naturalmente, aflora ao se vivenciar fatos folclóricos na sala-de-aula.
Numa receita
de culinária típica, feijoada por exemplo, o professor de 1ª a 4ª série pode
trabalhar:
* Português
- escrita e leitura do texto, tipografia textual, conteúdos gramaticais.
* História -
localização temporal da receita.
* Geografia
- localização espacial da origem ou aceitação coletiva da feijoada.
* Ciências -
valor nutritivo da receita e seus ingredientes, origem dos mesmos
na natureza.
* Matemática
- medidas de massa e volume implícitas nos ingredientes.
* Artes -
desenho da receita, dramatização de uma cena da família se alimentando.
Se a turma
for de 5ª a 8ª série, o professor pode ainda abordar:
* Química -
composição química de alguns ingredientes da receita.
* Física -
relação entre temperatura e o cozimento da feijoada.
* Inglês -
traduzir a receita para o Inglês ou outra língua estrangeira.
O professor, vivenciando o folclore em sala-de-aula, pode desenvolver projetos didáticos os mais variados possíveis e cobrindo diferentes períodos do ano letivo de 200 dias ( 800 horas-aula) conforme determinação da LDB-Lei de Diretrizes e Bases da Educação. (3)
1.
ciclo
carnavalesco (fevereiro/março)
2.
tempo e
folclore (março)
3.
ciclo
quaresmal (março/abril)
4.
folclore e
mulher (maio)
5.
ciclo
junino (junho)
6.
folclore
na estrada (julho)
7.
folclore
(agosto)
8.
folclore e
vegetais (setembro)
9.
folclore
infantil (outubro)
10.
folclore
de vida e morte (novembro)
11.
ciclo
natalino (dezembro)
podem ser abordados em projetos didáticos e garantidos pela
motivação que emanam das manifestações folclóricas, rendendo-se a seus
encantos, educandos e educadores.
Atividades de pesquisa, escrita e reescrita, leitura e
releitura, desenho, dramatização, confecção, fotografia, gravação e filmagem
são formas possíveis de vivenciar folclore em sala-de-aula, nas diferentes
séries do Ensino Fundamental, da rede pública e privada. Um outro recurso, a
entrevista, talvez, seja a atividade mais científica de se vivenciar o folclore
no cotidiano escolar, quando gerações diferentes conversam, ensinam, resgatam,
comparam, socializam experiências – Como era antes? Como é hoje ? – de
diferentes fatos e manifestações folclóricas, reproduzindo, na escola, a
dinâmica do folclore existente desde os primórdios da humanidade, quando traços
culturais passaram a diferenciar o homem dos outros animais.
Referências Bibliográficas
(1) CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 3ª Ed.Brasília: Ministério da
Educação e Cultura/Instituto Nacional do Livro. 1972.
(2) PCN-Parâmetros
Curriculares Nacionais. Vol 10. Pluralidade Cultural e Orientação Sexual.
Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.
Brasília. 1997.
(3) LDB-Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei Federal nº 9394, de
20/12/1996.
(*) Série FOLCLORE - nº 288 - agosto/2001.
www.usinadeletras.com.br
publicado em 07/07/2002.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Lançamento do livro PROPOSTA DE TRABALHO PARA A EDUCAÇÃO FORMAL novos rumos na questão da fala de MARIA DE LOURDES SILVA
É hoje! O lançamento do livro PROPOSTA DE TRABALHO PARA A EDUCAÇÃO FORMAL - novos rumos na questão da fala, da professora MARIA DE LOURDES SILVA.

Lurdinha, professora aposentada da Prefeitura do Recife, esteve na assessoria em Língua Portuguesa para o GOM-Grupo Operacional Magistério e na coordenação pedagógica da Escola Municipal Frei Tadeu Glaser.
Com certeza, um momento de muita alegria e realização pessoal e profissional a compartilhar.
Parabéns Lourdinha!!!
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