sábado, 8 de março de 2014

MULHERES BORBOLETAS SEM CRISÁLIDAS

http://thelmaregina.blogspot.com.br/2014/03/mulheres-borboletas-sem-crisalidas.html

MULHERES, BORBOLETAS SEM CRISÁLIDAS
Thelma Regina Siqueira Linhares

Borboletas sem crisálidas bem que pode ser considerada a imagem simbólica da situação feminina nesse século XX, recém-findo, seja no contexto mundial, seja no Brasil, especificamente.
Vinda de uma situação histórica e milenar de submissão e exploração pelo sistema machista, foi, no século passado, que a mulher passou a ter papéis e status diferenciados daqueles já cristalizados nas relações de gênero - homem x mulher - através dos milênios ao longo da extensa história da humanidade no planeta Terra.
A imagem bíblica da criação da primeira mulher (Eva) a partir da costela do primeiro
homem (Adão), difundida nas sociedades e culturas de origem cristã, teria justificado por razões religiosas, até, o papel de submissão, de dependência, de obediência do sexo frágil ao sexo forte, ao longo de séculos de predominância da hegemonia cultural européia sob o resto do mundo.
Com a colonização do branco europeu, aqui no Brasil-colônia, a mulher ocupa posições e status diferenciados de submissão, sem muitas modificações ao longo dos quatro séculos e, às vezes, condicionados à raça e condição social.
A mulher branca, rica, conta com algumas regalias. É a matriz da numerosa família
patriarcal, responsável pela manutenção da riqueza e prestígio familiares, assegurados por casamento sólido e de conveniências, muitas vezes, acertado pelo pai e sem contato nenhum com o futuro consorte.
A mulher branca e pobre ou a mulher mestiça, quando solteiras, estavam submissas ao pátrio poder. Casadas, passam a dever obediência ao marido. Sem voz nem vez.
A mulher índia e a mulher negra, principalmente, são apenas objeto sexual de quem o branco colonizador tem posse e direito de uso, vida e morte. Além de mão-de-obra e mercadoria baratas. Sujeitas aos mandos e desmandos do seu senhor.

Os séculos passam lentamente. E, mais lentamente ainda, os costumes, a definição de direitos, o usufruir de conquistas históricas, nacional ou internacionalmente. Necessário que, em l857, 129 mulheres norte-americanas fossem sacrificadas pelo poder machista, vítimas de incêndio criminoso na fábrica em que trabalhavam e lutavam por direitos trabalhistas de redução de carga horária e licença-maternidade, para que se levantasse a bandeira feminina e feminista. Daquele fato histórico, em 8 de março, ficou o dia internacional da mulher, comemorado universalmente e sempre usado como ponto de reflexão da situação da mulher, por seus direitos como cidadãs e profissionais.

Mulheres, borboletas sem crisálidas, vêem chegar o século XX. E nesses últimos cem anos, quanta coisa aconteceu! Quanta luta, individual e coletiva! Quanta conquista conseguida! E quanto ainda a conquistar!

Muitas invenções e facilidades, quedas de tabus e preconceitos, mudanças de valores e de comportamentos foram construindo o perfil da nova mulher do século XX. Dia-a-dia, década após década.

A mine-saia, a pílula anti-concepcional, o absorvente, o silicone. O telefone celular, o carro, os eletrodomésticos. O rádio, a televisão, o computador, a internet. O direito ao voto, ao estudo, ao trabalho remunerado e fora do lar. A escolha do companheiro, o divórcio, a produção independente de filho, a desestruturação familiar. As lutas feministas, a emancipação feminina, os valores modificados...

Apenas alguns exemplos que contribuíram para dar suporte às profundas modificações de vida da mulher, sexo frágil, ao longo dos últimos cem anos. Com certeza, ilustram que a mulher jamais será a mesma, nesse tempo histórico de transição de séculos, de milênios. Nem os papéis e status femininos. E nem as relações de gênero.

Mulheres, borboletas, sem crisálidas.
Já é possível, então, comemorar neste novo milênio, as conquistas da mulher?
Não! Porque é a mulher que sofre mais violência no lar, pelos maridos e companheiros, apesar das leis que garantem seus direitos...
Não! Porque é a mulher que, desempenhando as mesmas funções que o homem, ganha
menos que o colega profissional...
Não! Porque em sua dupla jornada de trabalho, muitas vezes, não tem a parceria do companheiro, ficando sob sua responsabilidade, os afazeres domésticos e os cuidados mais específicos com a educação dos filhos, resquícios dos tempos de só rainha do lar...
Não! Porque muitas vezes, ainda, é sua inteira responsabilidade não procriar, abortar ou cuidar, sozinha, da cria, apesar dos tempos da AIDS e da necessidade vital de prevenção sexual...

Assim, ainda há muito a esclarecer, a conquistar, a definir, a assegurar direitos, para que as mulheres, borboletas sem crisálidas, possam viver, com sensibilidade, felicidade e responsabilidades, etapas definidas e belas de sua especificidade de gênero. Em casa, no trabalho, no Brasil, no mundo.

Mulheres, borboletas sem crisálidas anseiam por vôos mais altos e seguros. Vôos que
garantam a perpetuação da própria espécie. Sem traumas. Sem agressividades. Com
humanidade. Com cidadania.


www.usinadeletras.com.br em 09/03/2002

Reeditando post 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

DEIXA O POVO FREVAR! Música e letra de Jeane Siqueira - Ano: 2014


Frevo da Professora JEANE SIQUEIRA.


Alguns livros da autora:
Frevolina;
La ursa cara feia;
Embalando o Recife;


http://jeanesiqueira.blogspot.com.br/

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Trailer Dom Helder Câmara - O Santo Rebelde


Dom Helder Pessoa Câmara,  Arcebispo Emérito de Olinda e Recife,
nasceu em Fortaleza/CE, a 07 de fevereiro de 1909
e  morreu em Recife/PE, em 27 de agosto de 1999.
Foi um dos fundadores da CNBB-Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
e grande defensor dos direitos humanos durante o regime militar brasileiro.

Dados biográficos:
23 livros publicados, sendo 19 deles traduzidos para 16 idiomas;
716 títulos de homenagem e condecorações;
membro de 41 organizações internacionais e 05 nacionais;
30 títulos de Cidadão Honorário, no Brasil e no Exterior (Belo Horizonte, 1990);
32 títulos de Doctor Honoris Causa, sendo 05 em DIREITO;
25 Prêmios da Paz.


Comemorativo dos 100 anos de nascimento:

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Bartolomeu Campos de Queirós

Bartolomeu Campos de Queirós



Bartomoleu Campos de Queirós fala sobre seu fazer poético,
 sua infância, família e afetividade.
     Emociona e sensibiliza. Sempre.


sobre A Árvore, de Bartolomeu Campos de Queirós e oitizeiros

http://thelmaregina.blogspot.com.br/2014/01/sobre-o-livro-arvore-de-bartolomeu.html

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

MANUEL BANDEIRA e MANOEL BANDEIRA: por que grafar certo o nome desses pernambucanos?

MANUEL BANDEIRA e MANOEL BANDEIRA:
por que grafar certo o nome desses pernambucanos?
Thelma Regina Siqueira Linhares

in memorian:
Prof° Alex José Gomes da Silva


Algo que me incomoda bastante é ver a grafia do nome do poeta Manuel Bandeira, patrono do PMBFL-Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores escrita de forma errada. A simples troca de vogais, do u por o em Manuel, faz com que outro pernambucano ilustre e a ele contemporâneo, seja citado: Manoel Bandeira, o pintor. Assim, no mínimo, desconsidera-se, a certidão de nascimento, documento primeiro da cidadania de ambos.


IDENTIDADE
Thelma Regina Siqueira Linhares

U ou O eis a questão
que faz toda diferença
quando se trata de Bandeira.

U ou O eis o dilema
e não é só questão de grafia
dos nomes desses dois pernambucanos
contemporâneos.


Com U o Manuel
é Bandeira das letras
pois, principalmente, poeta.
Palavras e rimas: sina.

Com O o Manoel
é Bandeira das tintas
pois, essencialmente, pintor.
Nanquim e bico de pena... cena.

U ou O eis a questão
que não dá para esquecer:
com U o Manuel Bandeira é poeta.
com O o Manoel Bandeira é pintor.

Por favor!

(Olinda, 05/11/2013)

 
 MANUEL Carneiro de Sousa BANDEIRA Filho

MANOEL BANDEIRA

  
Manuel Bandeira, o poeta, nasceu no Recife, em 19/04/1881 e faleceu no Rio de Janeiro, em 13/10/1968. Professor, cronista, crítico e historiador literário foram alguns dos papeis sociais vividos, o maior, com certeza, foi na poesia.
Sua obra poética: A Cinza das Horas (1917); Carnaval (1919); Os Sapos (1922); O Ritmo Dissoluto (1924); Libertinagem (1930); Estrela da Manhã (1936); Lira dos Cinquent’anos (1940); Belo, Belo (1948); Mafuá do Malungo (1948); Opus 10 (1952); Estrela da tarde (1960); Estrela da Vida Inteira (1966); O Bicho (1947);] e Desencanto (1996).
Sua obra em prosa: Crônicas da Província do Brasil (1936); Guia de Ouro Preto (1938); Noções de História das Literaturas (1940); Autoria das Cartas Chilenas (1940); Itinerário de Pasárgada – Jornal de Letras (1954); De Poetas e de Poesia (1954); A Flauta de Papel (1957); Crônicas inéditas I e Crônicas inéditas II (2009).

O Bicho
Manuel Bandeira

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.


Irene no céu
Manuel Bandeira

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.


Imagino Irene entrando no céu:
— Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
— Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.


Manoel Bandeira, o pintor, nasceu em Escada/PE, no dia 02/05/1900 e faleceu no Recife, em 03/03/1964. As técnicas preferidas do pintor foram o desenho com bico-de-pena e tinta nanquim ou estilete - no caso dos trabalhos sobre papel gessado - e pinturas com aquarela, guache e óleo.
  







Sites interessantes sobre Manuel Bandeira, o poeta:

Sites interessantes sobre Manoel Bandeira, o pintor:

  
 Seria interessante ser disponibilizado pelo Diário de Pernambuco, o texto Xará, o batuta é você, escrito por Manuel Bandeira, o poeta, para o Manoel Bandeira, o pintor, conforme informação e texto da pesquisadora da FUNDAJ, Semira Adler Vainsencher.