segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

MANUEL BANDEIRA e MANOEL BANDEIRA: por que grafar certo o nome desses pernambucanos?

MANUEL BANDEIRA e MANOEL BANDEIRA:
por que grafar certo o nome desses pernambucanos?
Thelma Regina Siqueira Linhares

in memorian:
Prof° Alex José Gomes da Silva


Algo que me incomoda bastante é ver a grafia do nome do poeta Manuel Bandeira, patrono do PMBFL-Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores escrita de forma errada. A simples troca de vogais, do u por o em Manuel, faz com que outro pernambucano ilustre e a ele contemporâneo, seja citado: Manoel Bandeira, o pintor. Assim, no mínimo, desconsidera-se, a certidão de nascimento, documento primeiro da cidadania de ambos.


IDENTIDADE
Thelma Regina Siqueira Linhares

U ou O eis a questão
que faz toda diferença
quando se trata de Bandeira.

U ou O eis o dilema
e não é só questão de grafia
dos nomes desses dois pernambucanos
contemporâneos.


Com U o Manuel
é Bandeira das letras
pois, principalmente, poeta.
Palavras e rimas: sina.

Com O o Manoel
é Bandeira das tintas
pois, essencialmente, pintor.
Nanquim e bico de pena... cena.

U ou O eis a questão
que não dá para esquecer:
com U o Manuel Bandeira é poeta.
com O o Manoel Bandeira é pintor.

Por favor!

(Olinda, 05/11/2013)

 
 MANUEL Carneiro de Sousa BANDEIRA Filho

MANOEL BANDEIRA

  
Manuel Bandeira, o poeta, nasceu no Recife, em 19/04/1881 e faleceu no Rio de Janeiro, em 13/10/1968. Professor, cronista, crítico e historiador literário foram alguns dos papeis sociais vividos, o maior, com certeza, foi na poesia.
Sua obra poética: A Cinza das Horas (1917); Carnaval (1919); Os Sapos (1922); O Ritmo Dissoluto (1924); Libertinagem (1930); Estrela da Manhã (1936); Lira dos Cinquent’anos (1940); Belo, Belo (1948); Mafuá do Malungo (1948); Opus 10 (1952); Estrela da tarde (1960); Estrela da Vida Inteira (1966); O Bicho (1947);] e Desencanto (1996).
Sua obra em prosa: Crônicas da Província do Brasil (1936); Guia de Ouro Preto (1938); Noções de História das Literaturas (1940); Autoria das Cartas Chilenas (1940); Itinerário de Pasárgada – Jornal de Letras (1954); De Poetas e de Poesia (1954); A Flauta de Papel (1957); Crônicas inéditas I e Crônicas inéditas II (2009).

O Bicho
Manuel Bandeira

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.


Irene no céu
Manuel Bandeira

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.


Imagino Irene entrando no céu:
— Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
— Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.


Manoel Bandeira, o pintor, nasceu em Escada/PE, no dia 02/05/1900 e faleceu no Recife, em 03/03/1964. As técnicas preferidas do pintor foram o desenho com bico-de-pena e tinta nanquim ou estilete - no caso dos trabalhos sobre papel gessado - e pinturas com aquarela, guache e óleo.
  







Sites interessantes sobre Manuel Bandeira, o poeta:

Sites interessantes sobre Manoel Bandeira, o pintor:

  
 Seria interessante ser disponibilizado pelo Diário de Pernambuco, o texto Xará, o batuta é você, escrito por Manuel Bandeira, o poeta, para o Manoel Bandeira, o pintor, conforme informação e texto da pesquisadora da FUNDAJ, Semira Adler Vainsencher.


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Aprendizagens no Recife

 

O que o Recife lhe ensinou? Perguntou Raimundo de Moraes numa formação continuada para Mediadores de Leitura do PMBFL-Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores, em 2009. A resposta, em textos diversos foi publicada no http://www.interpoetica.com/hotsite/o_que_o_recife_lhe_ensinou.htm  
e agora reeditada com fotos tirada hoje, numa outra formação do PMBFL: Recital Águas do Capibaribe.



Quase tudo em minha vida, pois sou duplamente nordestina, desde o DNA.

Aqui aprendi a valorizar a cultura, a pesquisar sobre Pernambuco e Recife: multiculturais. Folclore riquíssimo! Museus. Casa da Cultura. Igrejas seculares. Pesquisadores e estudiosos embasando meus conhecimentos.


Aqui vivenciei sentimentos. Firmei caráter. Respeito ao outro. Cidadania. Nas escolas que estudei e trabalhei. Na convivência diária com um povo cabra da peste! que ama e vive vidas severinas quase sempre. E emociona nas artes, nas músicas, nas letras, nas poesias.

Aqui realimento meu arquivo pessoal de lembranças quando saio pelas ruas da cidade, observando a arquitetura, as praças, as pontes, os rios. Sentindo o sol e a chuva sob influências e devastações, que o humano, muitas vezes, faz na geografia da cidade.

Aqui vivo meu tempo. Um tempo tríduo, onde passado, presente e futuro me fazem e deixam marcas, inclusive físicas. Onde ritmos musicais diferentes me soam conforme as emoções.
Recife é... meu lugar de aprendizagens.
Thelma Regina Siqueira Linhares 
       



http://www.interpoetica.com/hotsite/o_que_o_recife_lhe_ensinou.htm
   
 
 
 

 
 
O que o Recife lhe ensinou?
Prosseguindo uma parceria iniciada com o Interpoética em 2008, a Gerência de Bibliotecas e Formação de Leitores da Secretaria Municipal de Educação fecha o ano de 2009 com excelentes resultados decorrentes da sua Formação Continuada de Mediadores de Leitura.
Para registro do feedback – tanto através da GBFL, tanto através do Interpoética – aqui divulgamos uma das atividades propostas pelo poeta Raimundo de Moraes numa das formações promovidas pela Gerência. O desafio era, aproveitando o tema do ano letivo - Recife cidade educadora – propor uma resposta à pergunta: o que o Recife lhe ensinou? Respostas variadas, depoimentos emocionantes, opiniões que mesclam sentimentos. O difícil trabalho de escolha não foi pelo crivo de textos com maior conteúdo literário, mas sim aqueles textos que mais exemplificam o fascínio dessa cidade de poetas sobre as pessoas que nela vivem e/ou que aqui nasceram.
Em 2010, com certeza estaremos divulgando outras atividades da GBFL e seu atuante trabalho de alicerce e fomentação do hábito da leitura.

RECIFE
Recife das pontes e rios
Unindo diversos caminhos
O pé da lama atolado
Caranguejos cozidos, assados.
Passado na Boa Viagem
Diversão dispensa idades
A tez amorenando
Do branquelo galetando.
Museus, igrejas, mercados
Mercadorias, histórias, pecados
Nos bares do porto meninas
Vendendo canelas finas.
Judeus, árabes, portugueses
Vêm e vão todos os meses
Constroem sonhos, realizam desejos.
Sobram herdeiros nascidos de beijos.
Nos terraços a sós
Balança Recife dos meus avós.
“carnaviais que alegram a gente”
Flashes de memória, passado e presente   
                     Favela por todos os lados
                     Miséria e fome maquiados
             Noite esconde perigos
             Nos patrimônios feridos.
Recife das pontes e rios
Alegra corações vazios
Sol ano inteiro a brilhar
E a cidade cresce, sem parar.
Aldonez Pereira da Silva Escola Municipal Vila São Miguel


A cidade que amo 
O Recife com sua beleza e sabedoria ensinou-me desde pequeno a amar o carnaval. Meu pai, no carnaval, preparava a mochila com lanches, ia para o Pátio de São Pedro, colocava meus três irmãos e eu sentados nos degraus da igreja e ali assistíamos às apresentações das agremiações.
O carnaval d Recife para mim é motivo de muita alegria, pois o festejo com grande devoção, as igrejas católicas trazem muita paz na hora do almoço e mais lindo ainda quando às cinco horas da manhã do domingo ela está vazia.
Ando pelas ruas e ao observar os prédios monumentais aos domingos vejo que muito não se vê durante a semana, nas correrias do dia a dia e que pouco se escuta o Recife falar.
Dentro dela encontro as mais variadas manifestações populares, culturais e religiosas. Como ela fala!
Joseildo Pereira da Silva Filho (Recifense, Nordestino, Brasileiro)
Escola Municipal Córrego da Bica


O que o Recife me ensinou
Tu me ensinaste a nascer,
A crescer,
A absorver teus trejeitos.
Me ensinaste a olhar teus defeitos,
Pensar que eram todos direitos,
Pois por todos, tu eras perfeito.
Me ensinaste por isto, agora, a ver melhor
Através do vermelho de meus olhos,
E não apenas um mero olhar,
Que para melhorar
Era necessário te abandonar
Mesmo em ti estando,
Mesmo em ti a caminhar,
Era... necessário...  te... abandonar.
E agora, eu Recife!  Te vejo,
Enquanto os outros
Vivem a te olhar.
Marco Aurélio Acioli Dantas
Escola Municipal Engenheiro Enaldo Coutinho


O Recife certamente me ensinou muitas coisas.
Algumas boas, outras nem tanto, e tantas outras que preferia nem aprender. Antes de mais nada é preciso aprender que é um tanto quanto complicado se viver numa cidade grande, pois se viver num centro urbano significa conforto ou desenvolvimento, sem sombra de dúvida também significa problemas.
A capital da terra dos altos coqueiros (centro da nova Roma de bravos guerreiros e outros tantos termos saudosistas) me ensinou que cochilar de madrugada em alguma de suas tantas praças  pode não ser uma boa ideia, e que ela faz jus ao título de “bastante violenta”. Ensinou-me também que se você deseja sair à noite é melhor reservar m dinheiro a mais para o táxi, pois ônibus com nome de pássaro noturno, definitivamente não são convidativos ou confortáveis. A saudosa Mauricéia dos grandes poetas e praias belas também me mostrou em sua face que a fome, ignorância, miséria e desigualdade também Veneza, vai saber...
Mas nem só de negatividade estrutura-se a lendária terra dos revolucionários de 17. Sob o calor escaldante que frita os miolos, consigo ver, apesar do desemprego e em meio a um assalto ou outro, uma acidade muito bonita, que com suas pontes e rios e prédios e praças, ofusca, na aurora e sob estrelas, um pouco da poluição e do caos urbano.
Recife me ensinou muitas coisas e enquanto ondas se quebram em Boa Viagem, carnavais se repetem, crianças catam latas e caranguejos viram lendas, Recife continuará me ensinando.
Thiago Santana
Escola Municipal Maria da Paz Brandão


Lendas urbanas – começo pelo lado um tanto quanto misterioso as histórias contadas de geração para geração como por exemplo, a história da “perna cabeluda”. Era uma perna, isso mesmo, um membro inferior sem um corpo. Essa perna agia de forma bastante agressiva, atacando transeuntes na cidade do Recife Dizem que essa perna tinha predileção em atacar mulheres (seria a perna de um tarado?). Essa história da “perna cabeluda” é uma lenda urbana recente, meados dos anos 80. O jornalista Jota Ferreira reivindica sua autoria, o mesmo conta que um dia estando de plantão no Derby, onde se encontra o Hospital  da Restauração (HR) não havia ocorridos fatos policiais (bons tempos) o que lhe causava uma grande angústia, afinal ele seria chamado a intervir, e não poderia dizer que simplesmente, não haveria ocorrências para noticiar, então o mesmo “soltou o boato” do aparecimento de uma “perna cabeluda” que atacava as pessoas. Para surpresa de do próprio Jota, assim que divulgou tal fato, logo chamaram pessoas dizendo-se vítimas do agressor em questão. A partir de então, a história da “perna cabeluda” tem motivado o imaginário popular do Recife, inclusive, a fazer parte de uma letra de Chico Science e Nação Zumbi, banditismo por um questão de classe, na qual o compositor relata no trecho “Galego do Coque” (esse, sim, um algoz que de fato existiu) não tinha medo da “perna cabeluda”. Existe, também, uma lenda que fala da “emparedada da rua Nova”, conta a história de uma jovem que estando grávida foi relatar a seu amante, este, então, tratou de livrar-se dela, de uma maneira bem incomum. O mesmo assassinou-a e “abriu” um buraco na parede da sala e ali consolidou o buraco da parede como uma sepultura. Meses depois foi preso pelo desaparecimento da moça, confessando o ocorrido, então os moradores que habitavam tal residência, em períodos posteriores, relatam a aparição de uma jovem revelando estar “emparedada”.
Sobre minha vida enquanto morador do Recife tive a oportunidade de morar em dois bairros (Santo Amaro/ Zona Norte e Cordeiro/Zona Sul, onde vivo até hoje).  Minha infância e adolescência se desenvolveram no primeiro, pois ali morei até os 17 anos de idade. Foi uma época bem feliz, tive uma infância de interação com o ambiente, pois brincava na rua, futebol, polícia e ladrão, pipa, bola de gude, garrafão, pião, espeto, barra-bandeira, tive realmente momentos felizes. No Cordeiro tenho minha vida adulta e me sinto bem morando nesse bairro, subúrbio querido com várias opções de entretenimento (Sala de Reboco, Mercado da Madalena, pertinho do Centro, da UFPE, onde estudo, perto de Boa Viagem), acessibilidade a bancos, supermercados, hospitais, enfim, um subúrbio de centro ou seria o contrário? Voltando, também, tem um lado meio estranho nessa cidade, a vocação para todos tem um de antes de eu nascer, que minha mãe relata que “espalharam” que a represa de Tapacurá tinha “estourado” e o pânico tomou conta da cidade, uma correria incrível pelas ruas, a Conde da Boa Vista tomada de caos, no final, tratava-se de um boato. O gaiato? Ninguém sabe. Recife me ensinou a ser moleque e crítico.
Fábio Luciano de Assis Alves
Escola Municipal Vila Santa Luzia


Identidade. A principal coisa que o Recife me ensinou foi reconhecer minhas origens, de onde vim.
Ainda criança, a formação da minha identidade de origem se deu quando eu ouvia dos meus avós maternos as histórias sobre o bairro de Campo Grande, onde eles nasceram e cresceram.
Eram histórias simples, de vidas comuns, mas cheias de encanto.
Cresci escutando falar dos bondes, do meu avô que gostava de brincar nos trilhos e que uma vez passou sabão neles para ver se o bonde descarrilava – e descarrilou?
Eram histórias sobre açougues, mercearias, sobre os charreteiros que iam lavar os cavalos no chafariz, sobre as fantasias que minha avó fazia para o carnaval e sobre como ela dançava nos clubes.
Quando mais velha, aprendi sobre as revoluções nas aulas de História. Mas aprendi a ser realmente recifense quando sai da sala de aula e fui – sozinha – pelas pontes e ruas conhecendo-as e imaginando o que um dia já acontecera ali.
Finalmente, me afirmei como nascida no Recife, ao conhecer mais a fundo os músicos e escritores conterrâneos que cantavam e escreviam tudo aquilo que eu sentia pela minha cidade.
Taciana F. Soares Escola Municipal Célia Arraes


O Recife me ensinou a tolerância, o respeito pela diversidade, pelo colorido. Você  já viu cidade  mais multicor  que o Recife? São muitas lembranças vivas, que me remetem à infância. Dia de domingo era dia de alegria, íamos brincar juntos no Parque 13 de Maio. Primeira sessão de cinema? Foi no São Luiz, filme de Renato Aragão. E o carnaval então?... Não tem como explicar a sensação, quando ouço tocar “Voltei Recife” em meio à multidão empolgadíssima no meio da rua... Recife dos versos, dos poetas, da música, da cultura... Recife pra mim tem vida, tem história. Histórias de lutas e resistências. Por isso eu amo viver aqui.
Tamyres Maria Roque da Silva
Escola Municipal Pe. Mathias Delgado


Quase tudo em minha vida, pois sou duplamente nordestina, desde o DNA.
Aqui aprendi a valorizar a cultura, a pesquisar sobre Pernambuco e Recife: multiculturais. Folclore riquíssimo! Museus. Casa da Cultura. Igrejas seculares. Pesquisadores e estudiosos embasando meus conhecimentos.
Aqui vivenciei sentimentos. Firmei caráter. Respeito ao outro. Cidadania. Nas escolas que estudei e trabalhei. Na convivência diária com um povo cabra da peste! que ama e vive vidas severinas quase sempre. E emociona nas artes, nas músicas, nas letras, nas poesias.
Aqui realimento meu arquivo pessoal de lembranças quando saio pelas ruas da cidade, observando a arquitetura, as praças, as pontes, os rios. Sentindo o sol e a chuva sob influências e devastações, que o humano, muitas vezes, faz na geografia da cidade.
Aqui vivo meu tempo. Um tempo tríduo, onde passado, presente e futuro me fazem e deixam marcas, inclusive físicas. Onde ritmos musicais diferentes me soam conforme as emoções.
Recife é... meu lugar de aprendizagens.
Thelma Regina Siqueira Linhares
GBFL
 
 
 
 
 
 
 
A ESCOLA LINKADA NA POESIA © 2008 interpoética

terça-feira, 5 de novembro de 2013

IDENTIDADE

 
IDENTIDADE

Thelma Regina Siqueira Linhares

 

U ou O eis a questão

que faz toda diferença

quando se trata de Bandeira.

 

U ou O eis o dilema

e não é só questão de grafia

dos nomes desses dois pernambucanos

                                    contemporâneos.

 

 

Com U o Manuel

é Bandeira das letras

pois, principalmente, poeta.

Palavras e rimas: sina.

 

Com O o Manoel

é Bandeira das tintas

pois, essencialmente, pintor.

Nanquim e bico de pena... cena.

 

U ou O eis a questão

que não dá para esquecer:

com U o Manuel Bandeira é poeta.

com O o Manoel Bandeira é pintor.

 

Por favor!

 

(Olinda, 05/11/2013)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

ROBERTO Emerson Câmara BENJAMIN

Transcrição de email recebido sobre falecimento do professor ROBERTO BENJAMIN (1943/2013)
Comunico que familiares e amigos de Roberto Benjamin estarão reunidos em oração, na missa das 10:00 horas, da Igreja de Santa Terezinha - Rua da Baixa Verde, no Derby, Recife, no próximo sábado, dia 26 de outubro.
Cordiais saudações
José Fernando Souza



Roberto Benjamin, professor e pesquisador da cultura popular

http://www.olindahoje.com/2013/10/adeus-roberto-benjamin.html
"O professor e pesquisador de Folkcomunicação, Roberto Benjamin, morreu hoje. É uma grande perda para a cultura brasileira."

Outros links:
http://www.fundaj.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3101:robertobenjamim&catid=44:sala-de-impressa&Itemid=183

http://noticias.gov.br/noticias/noticiaGenerica/30280323

https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/AUM/article/viewFile/2505/2467

 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

lançamento do novo livro de ÉRICA MONTENEGRO: A CASA DO CARACOL


 
O PMBFL-Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores,
com alegria, participa o
lançamento do novo livro de ÉRICA MONTENEGRO,
A CASA DO CARACOL, na IX Bienal Internacional do Livro de Pernambuco nos  próximos dias 11 e 12/10/2013.

 
 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

SÃO FRANCISCO DE ASSIS

São Francisco nasceu Giovanni di Pietro di Bernardone, em 1182, na cidade de Assis, Itália, em uma família rica, ligada ao comércio. Bem jovem participou de uma guerra na cidade de Perúsia, ficando prisioneiro por meses. De volta para casa, doente, começou a pensar e agir de maneira diferente: passou a rejeitar o dinheiro e as coisas mundanas, que, antes, tanto lhe interessavam, para dedicar-se às orações e à filantropia. Certa vez, vendeu mercadorias para dar dinheiro aos pobres e comprar material de construção para completar a reforma de uma igrejinha, o que arrefeceu conflitos familiares. Deserdado, entrou de vez para a vida religiosa, fundando a Ordem dos Frades Menores e a Ordem Terceira. Conta-se que dois anos antes de sua morte (1226) Francisco recebeu os estigmas de Jesus crucificado em seu próprio corpo. São Francisco de Assis foi canonizado pelo Papa Gregório IX, em 1228. É considerado o patrono dos animais e do meio ambiente. Pregava a igualdade entre todos os seres. Atribui-se a ele a criação do presépio, nas comemorações natalinas. É um santo católico muito popular, aqui no Brasil.


Oração de São Francisco de Assis

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.


 


Antônio José da Silva é natural de Goiana / PE.  TOG, como é conhecido artisticamente,  começou a trabalhar em 1979, criando em barro, peças regionais e folclóricas. Posteriormente, passou a criar, também, peças bíblicas. Participa de feiras e eventos, em Pernambuco e no país, tendo obras premiadas.
O São Francisco de Assis acima fotografado foi adquirido no espaço em Goiana, cidade a 62 km de Recife, através da BR 101 Norte. Mais informações  sobre o artesão TOG e sua obra no site http://www.nacaocultural.com.br/tog/








Música: SÃO FRANCISCO / Autoria: Vinícius de Moraes / Intérprete: Ney Matogrosso
SÃO FRANCISCO
Autoria: Vinícius de Moraes  /  Intérprete: Ney Matogrosso
 
Lá vai São Francisco
Pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho
Dormindo à noite
Junto ao moinho
Bebendo a água
Do ribeirinho.
 Lá vai São Francisco
De pé no chão
Levando nada
No seu surrão
Dizendo ao vento
Bom-dia, amigo
Dizendo ao fogo
Saúde, irmão.
 
Lá vai São Francisco
Pelo caminho
Levando ao colo
Jesuscristinho
Fazendo festa
No menininho
Contando histórias
Pros passarinhos.
 
 
  Vinicius de Moraes um brasileiro múltiplo: poeta, compositor, dramaturgo e diplomata. Em parceria com Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim) escreveu a "Garota de Ipanema" um hino da música popular brasileira.  Nasceu em 1913 e faleceu em 1980.
Obra de Vinícius de Moraes

Caminho Para a Distância, poesia, 1933
Forma e Exegese poesia, 1936
 
Novos Poemas, poesia, 1938
Cinco Elegias, poesia, 1943
Poemas, Sonetos e Baladas, poesia, 1946
Pátria Minha, poesia, 1949
Orfeu da Conceição, teatro, em versos, 1954
Livro de Sonetos, poesia, 1956
Pobre Menina Rica, teatro, comédia musicada, 1962
O Mergulhador, poesia, 1965
Cordélia e O Peregrino, teatro, em versos, 1965
A Arca de Noé, poesia, 1970
Chacina de Barros Filho, teatro, drama
O Dever e o Haver
Para Uma Menina com uma Flor, poesia
Para Viver um Grande Amor, poesia
Ariana, a Mulher, poesia
Antologia Poética
Novos Poemas II

 

 
 
 
S O S
Thelma Regina Siqueira Linhares

São Francisco de Assis
o teu xará rio nordestino
- o Velho Chico –
clama socorro!
poluído
represado
não quer ser esticado
quer, sim, ser respeitado
revitalizado
para cumprir seu destino.

Ele
que já foi considerado o rio da integração nacional
e já teve transformado seu curso natural
só quer continuar sua sina
de Minas à Alagoas
pois a seca nordestina
não se resolve só com barragens
que modificam paisagens.
Muito mais é preciso
atitude, ética e juízo
pois se até seus mitos e carrancas
já não assustam mais?!...
O que pode fazer um rio...
sozinho?
 

 

sábado, 21 de setembro de 2013

SOCIALIZANDO BLOG - http://nastrilhasdaliteratura.blogspot.com.br

 Acabei de descobrir o blog da professora NEIDE MEDEIROS SANTOS http://nastrilhasdaliteratura.blogspot.com.br e gostaria de socializar para boas leituras


http://nastrilhasdaliteratura.blogspot.com.br/2010/12/era-uma-vez-uma-arvore-bartolomeu_18.html

sábado, 7 de setembro de 2013

PASSEANDO NO SÍTIO DA TRINDADE - http://www.cyberartes.com.br/artigo/?i=1705&m=43

 
http://www.cyberartes.com.br/artigo/?i=1705&m=43



Em 2010, o PMBFL-Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores participou de um evento realizado no Sítio da Trindade e eu fui indicada para representa-lo. Chegando cedinho, caminhei pelo espaço e fiz várias fotos, escolhendo algumas para compor material que, posteriormente, enviei para o Cyberartes, que agora veicula. Agradecida a Rê Rodrigues e ao Ronaldo Carneiro Leão por mais essa oportunidade.
Thelma Regina

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

22 de agosto

Texto publicado no www.usinadeletras.com.br, em 24/08/2002. Seis anos depois, no http://thelmaregina.blogspot.com.br/2008/08/22-de-agosto.html e hoje, reedição, com cópia nos outros dois blogs. 
22 DE AGOSTO

Thelma Regina Siqueira Linhares


Além de rimar com desgosto, o mês de Agosto traz em seus dias a comemoração do Dia Mundial do Folclore. Precisamente, o dia 22. Data dedicada a tudo que traduz “o pensar, sentir e agir de um povo” como tão definitivamente definiu Luís da Câmara Cascudo, o mais completo folclorista brasileiro.
O vocábulo Folclore foi criado em 1846, pelo antropólogo inglês William John Thoms. Mas, muito tempo atrás, ainda na Antiguidade, escritores, pensadores e filósofos atentaram para alguns fatos folclóricos dedicando-lhes estudos e importâncias na construção do conhecimento de povos, culturas e civilizações.
A vivência do Folclore há muito retrocede no tempo. Talvez, àquele exato momento em que os primeiros seres humanos se definiram como tal, na linha divisória com os outros primatas. Observando a natureza, buscando a sobrevivência da espécie, dando identidade própria a determinado grupo social, enfim, promovendo aprendizagens e socializando conhecimentos incorporados às tradições e transmitidas oralmente através das gerações.
À tradição e à oralidade, junta-se o anonimato e a funcionalidade do fato para torná-lo folclórico. Do contrário, apenas um fato popular ou pitoresco.
E como é variado o leque dos fatos folclóricos! Cantigas de ninar e acalanto. Cantigas de roda. Histórias da carochinha, lendas e mitos. Brinquedos e brincadeiras populares. Ditados populares, provérbios, frases de pára-choques de caminhão. Parlendas, trava-línguas. Adivinhações, crendices e superstições. Comidas e bebidas típicas. Tipos populares. Artesanato. Medicina popular. Entre tantos.
E tem fato folclórico para todo gosto e idade.
Ainda no ventre da mãe, adivinhações e crendices buscam a identificação do sexo do feto. Ao nascer, braços carinhosos, solícitos e cuidadosos protegem o bebê que cresce e vai se apropriando da cultura em que está inserido. Pela transmissão. Pela oralidade. Pela tradição.
Na creche ou na escola se acelera a socialização infantil. As brincadeiras e cantigas de roda, as parlendas, as histórias da carochinha, etc. povoam a imaginação, exercitam à criatividade, ampliam vocabulário. Na infância e adolescência, brincadeiras populares, folguedos, crendices e superstições. Na idade adulta e velhice, comidas e bebidas típicas, crendices... E a história se repetindo, se reinventando, se reescrevendo.
22 de Agosto.
Bela data para rever valores. Inclusive, ocasião para reverter preconceitos de considerar Folclore uma ciência de menor importância para a humanidade. Neil Armstrong ao deixar sua pegada no solo lunar citou ser aquele “um grande passo para a humanidade” e lá ficou a marca do seu pé direito... para dar sorte, com certeza!
22 de Agosto.
Também é data de lembranças. Da festa do Folclore na FUNDAJ, tendo por anfitrião o folclorista Mário Souto Maior. Encontro de amigos. Socialização de saberes. Comes e bebes autenticamente nordestinos...
22 de Agosto.
Viva o Folclore!
Recife, 24/08/2002.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

FOLCLOREANDO NA ESCOLA - Vivências de Folclore em sala-de-aula no Ensino Fundamental

interessante observar que o presente texto foi escrito e publicado em 2001, há mais de uma década, anterior, portanto, a algumas leis que ampliam a educação brasileira, por exemplo,
necessitando de ajustes, caso seja usado como material de apoio em projetos didáticos.


 
FOLCLOREANDO NA ESCOLA (*)
Vivências de Folclore em sala-de-aula no Ensino Fundamental
Thelma Regina Siqueira Linhares
  
Pensar, falar, escrever, pesquisar sobre o folclore é sempre muito prazeroso porque se trata de vivências, antigas ou atuais, compartilhadas ao longo de gerações. Afinal, traduz o pensar, sentir e agir do povo, como definiu Luís da Câmara Cascudo. (1)
A palavra folclore vem do inglês - folk lore - e foi inventada em 1846, pelo sociólogo Willians Thomes, significando saber (folk) do povo (lore). No Brasil, o termo traduz tudo aquilo que, compartilhado pelo povo, caracteriza a sua própria identidade, a sua brasilidade e/ou, então, aquilo que é peculiar a uma região, a uma localidade menor, ou até mesmo, a um grupo social específico.
Para que um fato seja considerado folclore é preciso que alguns fatores, em conjunto, sejam considerados. Do contrário, é um fato social, popular .
Anonimato: no fato folclórico, o autor ou inventor conhecido se perdeu no tempo. Foi despersonificado.
Aceitação coletiva: inventado e aceito, o fato passa a ser repetido, vivenciado, modificado, acrescido. O povo passa a incorporá-lo como seu.
Transmissão: o fato é passado às novas gerações pela transmissão, preferencialmente, oral. A aprendizagem, quase sempre, é informal e lúdica – aprende-se por aprender, fazendo brincando. Hoje, os meios de comunicações em massa, acessíveis a parcelas cada vez maiores da população e a escolarização em índices sempre crescente, reduzem a importância da oralidade no processo de perpetuação do fato folclórico. Identificando na perpetuação do folclore o dinamismo que o caracteriza: folclore é vida!
Funcionalidade: o fato folclórico existe para atender alguma função ou necessidade, uma razão de ser, um porquê, que pode, inclusive, já se ter perdido no tempo.
São inúmeras e variadas as manifestações folclóricas, vivenciadas no coletivo e, às vezes, com conotações bem individualizadas. Desejar saúde para quem espirra, ter o número 13 como de azar ou sorte, cantar atirei o pau no gato, comer uma canjica, dançar uma quadrilha, comprar um bumba-meu-boi de barro, empinar um papagaio ou pipa, usar branco na passagem de ano, etc. etc. são alguns exemplos de manifestações folclóricas vivenciadas em diferentes etapas da vida e em oportunidades e freqüência, igualmente, variadas.
O folclore direcionado às crianças, talvez, seja o mais rico em manifestações. E, com certeza, é o que mais belas lembranças trazem.
Cantigas de ninar ou acalanto: Começa no berço o aprendizado do folclore. Com que amor a mãe ou a figura materna canta para adormecer o bebê!
Dorme nenen
Que a cuca vem pegar
Mamãe foi pra roça
Papai foi trabalhar.
Cantigas de roda: expressão maior da infância, particularmente, das meninas. Importante instrumento de socialização nas escolas de Educação Infantil (creche e pré-escola). Os livros didáticos de Educação Infantil e das primeiras séries do Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries), regularmente, trazem esta manifestação folclórica em suas páginas.
Pai Francisco entrou na roda
Tocando o seu violão
Delém, dém, dém (bis)
Vem de lá seu delegado
Que Pai Francisco
Saiu da prisão.
Quando ele vem
Se requebrando
Parece um boneco
Se desmanchando. (bis)
Histórias de trancoso ou da carochinha: quem não guarda na memória passagens inesquecíveis de suas histórias prediletas e que dividem, com os super-heróis televisivos, o imaginário infantil? Cinderela, Branca de Neve, Os Três Porquinhos.
Brinquedos populares: brinquedos confeccionados artesanalmente ou não e que fazem a alegria da garotada, em particular, as das camadas sócio-econômicas mais desfavorecidas.  pipa (papagaio), pião, mané-gostoso, bruxinha de pano, iô-iô, rói-rói.
Brincadeiras infantis: brincadeiras vivenciadas, principalmente, pela garotada dos bairros mais populares, morros e periferias do Recife. Sujeitas a modismos. pular academia (amarelinha), pular elástico e corda, soltar papagaio (pipa), jogar bola de gude, pião, brincar de estátua, telefone-sem-fio.
Adivinhações: perguntas que se faz, geralmente, usando a expressão “o que é o que é?” e que a criançada se apressa em resolver os desafios e enígmas. O que é o que é?Tem coroa e não é rei? Tem espinhos e não é rosa? (Resposta: abacaxi)
Parlendas: brincar com as rimas das palavras é preferência da garotada, em especial, nos primeiros anos de escolaridade.
Um, dois - feijão com arroz.
Três, quatro - farinha no prato
Cinco, seis - tudo outra vez
Sete, oito - como biscoito
Nove, dez - besta tu és.
Trava-língua: brincar com as palavras que, em combinações complicadas, devem ser ditas rápida e repetitivamente.
Na casa de seu Saldanha tinha uma jarra e dentro da jarra uma aranha.
A aranha arranha a jarra e a jarra arranha a aranha. (bis)
Lendas: histórias que tentam dar explicações a fenômenos da natureza, a seres vivos e imaginários. Negrinho do pastoreio, Cumade Fulozinha , Saci-pererê, Boitatá, Sereia, Boto cor-de-rosa, do Milho, da Mandioca.
Quadrinhas: as meninas, especialmente ao entrar na adolescência, usam esta manifestação folclórica para expressar a descoberta do amor.
Com a escrevo amor
Com p escrevo paixão
com e escrevo Edvaldo
Que é dono do meu coração.
Mitos folclóricos: seres do imaginário coletivo que têm existência própria e estão associados às lendas. Saci-pererê, Sapo-cururu, Cuca, Boitatá, Iara, Caipora, Mula-sem-cabeça, Curupira Lobisomem.
Piadas ou anedotas: histórias engraçadas ou até imorais que fazem a graça em rodinhas de amigos, algumas vezes, regadas por cervejas.  Piadas de português, de papagaio, de Juquinha, discriminatórias (de negros, pobres, deficientes físicos, homossexuais).
Medicina popular: uso das plantas que curam, de uma farmácia vinda diretamente da natureza. Sabedoria tradicionalíssima usada, em especial, pelas camadas da população mais pobres e por aqueles adeptos da medicina alternativa e natural. Médicos e demais profissionais da saúde, vem dando importância a esta terapia, objeto de estudos cada vez mais difundido nos meios acadêmicos, científicos e farmacêuticos. Boldo, hortelã, língua de sapo, alfavaca, canela, gengibre, biribiri, mastruz.
Literatura de cordel ou folheto: literatura popular e tradicional, talvez, o principal meio de comunicação entre as camadas mais populares, até as primeiras décadas do século XX. Muitas vezes associada ao canto. O poeta-trovador, através de desafios e causos, levava conhecimento e diversão à platéia, que acompanhava atenta.  Estórias de animais, de amor, de religião, de banditismo, mitológicas (com motivos de morte, magia, sorte ou agouro), de fatos acontecidos. 
Xilogravura: artesanato da gravura, do desenho. Associada, principalmente, ao folheto, à literatura de cordel. Cenas da natureza e do cotidiano do sertanejo costumam ter destaque na temática da xilogravura.
 

Artesanato: usando material diverso (palha, barro, madeira, pano, papel, gesso, plástico, cera, contas, miçangas, sementes) e muita criatividade, o artesão concretiza o imaginado, criando objetos utilitários,votivos ou estéticos. Peças de barro da escola de Mestre Vitalino, Caruaru (PE), rendas de Passira (PE), Carrancas do Rio São Francisco (PE e BA),  Colares hippies.
Provérbios/Ditados populares: pensamentos, frases feitas, máximas, cujas mensagens objetivam interferir, positivamente, na conduta e no comportamento. Filosofia, moral, ética e religião transparecem explícitas ou nas entrelinhas.  Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Frases de para-choques de caminhão: frases de cunho moral, religioso e até imoral, difundidas pelos caminhoneiros em seus veículos. Dirigido por mim, guiado por Deus. Vou arranjar ½ de rezar 1/3 para ir a ¼ com você. 20 ver.
Superstições: práticas de comportamentos para afastar e/ou neutralizar azar para dar e/ou atrair sorte. São reforçadas pelas coincidências de resultados considerados. Número 13, figa, ferradura, determinada roupa, repetir comportamento, não passar debaixo de escada, desvirar roupas e calçados, bater na madeira.
 
Crendices: fórmulas para manter determinados comportamentos, condicionados pela crença do faz mal ou do faz bem. Faz mal tomar leite e comer manga. Deixar chinelos emborcados provoca a morte de pessoa querida. Pular janela causa a morte da mãe.
Comidas típicas: características a determinadas localidades geográficas e ciclos folclóricos, muitas vezes, incorporadas à culinária trivial e cotidiana deixando, com certeza, água na boca e dando um sabor especial ao folclore brasileiro. Canjica, pamonha, pé-de-moleque caracterizam o ciclo junino, em especial, no Nordeste. Churrasco, feijão tropeiro apreciados no sul do país. Feijoada, baião-de-dois, vatapá, acarajé, pato ao tucupi. Bebidas típicas: versão líquida da culinária incluída no folclore brasileiro. Batida de maracujá, licor de jenipapo, chimarrão, caipirinha. 
Folguedos populares: identificados com os principais ciclos folclóricos. Bumba-meu-boi, Pastoril, Reisado, Fandango.
Danças folclóricas: associadas a folguedos, ritmos e músicas ilustram a diversidade e riqueza do folclore brasileiro. Algumas dessas danças possuem trajes típicos, que lhes dão identidade própria. Frevo, Xaxado, Coco, Ciranda, Forró, Maracatu, Caboclinho, Quadrilha.
Os folcloristas costumam, didaticamente, identificar ciclos no folclore brasileiro e que são vivenciados, em todo o território nacional, com intensidade e características próprias.
Ciclo Carnavalesco: tem as folias de Momo como referência onde predominam a alegria, cores, descontração e irreverência. Frevo, Maracatu, Caboclinho, Urso, Máscaras, Fantasia.
Ciclo da Quaresma ou Semana Santa: referem-se à Paixão e Morte de Jesus Cristo. A malhação de Judas e a culinária à base de coco.
Ciclo Junino: iniciado no dia de São José (19 de março) com o plantio do milho, tem a culminância com os Santos de junho: Santo Antônio – o casamenteiro (13), São João (23) e São Pedro e São Paulo (29). Este ciclo é muito festejado no Nordeste, caracterizando-se pela alegria, cores, festanças e uma gostosa culinária, à base do milho. Forró, baião, banda de pífano. Quadrilhas, roupas matuta. Balões, fogos de artifício. Superstições e adivinhações para resolver problemas amorosos. Comidas típicas: pamonha, canjica, pé-de-moleque, milho assado e cozido. Quentão.
Ciclo Natalino: o nascimento (Natal) de Jesus Cristo é o tema central deste ciclo. A solidariedade, o amor ao próximo e a Deus, aparecem, explicitamente ou nas entrelinhas, em todas as manifestações do período. Pastoril, Presépio, Papai Noel, troca de presentes. Superstições, crendices. Comidas típicas.

Os órgãos oficiais de turismo, cientes da motivação que tais ciclos exercem, concentram esforços junto à mídia, para divulgação nas demais regiões do Brasil e no exterior, sabedores de que divisas ficarão com o fluxo maior de turistas nesses eventos.
No entanto, é imprescindível ter a clareza que, folclore, popular e turismo não são exatamente a mesma coisa, embora, quase sempre estejam associados. Atentar para isso é importante para professores e bom para o folclore.

Pernambuco possui um número considerável de pessoas que fazem e/ou vivem o folclore. Algumas conhecidas e famosas. A maioria, desconhecida e anônima.
Na Cerâmica, os bonecos de barro, têm em Mestre Vitalino seu maior nome. Fez escola, ainda hoje seguida, por filhos, netos e conterrâneos de Caruaru. Naquela cidade há o museu em sua memória, na casa onde viveu.
Nas Carrancas do Rio São Francisco, destaca-se Ana das Carrancas.
Na Cerâmica dos santos de barro, cita-se Zezinho de Tracunhaém.
Na xilogravura, J. Borges, é um artesão do desenho, além de poeta popular. Suas xilogravuras ilustram folhetos, quadros e painéis.
Na Ciranda, duas mulheres se destacam, em especial nas décadas de 60 e 70, quando, semanalmente, comandavam rodas de ciranda em suas respectivas cidades: Lia de Itamaracá, na ilha de Itamaracá e Dona Duda, no Janga, Paulista.
No Coco, destaca-se Dona Selma do Coco, descoberta pela mídia televisiva, em 1997, quando após gravar CD, apresentou-se pelo país e Europa, em programas de televisão, casas de espetáculos e festivais.
No frevo, personificando-o destaca-se Nascimento do Passo, que há décadas faz escola e ensina os segredos do frevo a passistas de todas as idades em escola municipal e oficinas. Nos últimos anos, a garota Safira tem recebido apoio dos órgãos oficiais de turismo para divulgação do frevo pernambucano.
Os bonecos gigantes de Olinda são cada vez mais populares nas ladeiras daquela cidade tornando-se expressão característica do seu carnaval. Sílvio Botelho é o principal artesão, o pai dos bonecos gigantes. Homem da Meia-noite, Mulher- do-dia, Menino da Tarde, Gilberto Freyre, Capiba, Turista.
Maracatu rural destaca-se Mestre Salustiano.
Mamulengo ou fantoche é outra modalidade do folclore brasileiro destacando-se Mestre Tiridá e os bonecos de Lobatinho.

O folclore brasileiro vem sendo estudado, sistematicamente, durante todo o século XX embora, só em 1966 teve o dia 22 de agosto, lhe dedicado oficialmente, por decreto-lei.
Pereira da Costa foi um dos pioneiros nos estudos folclóricos.
Luís da Câmara Cascudo, com certeza, o maior pela sistematização didática e pela extensa bibliografia.
Renato Almeida, Edson Carneiro, Théo Brandão, Saul Martins, Waldemar Valente, Roberto Benjamim são nomes de destaque entre os folcloristas, de ontem e de hoje.
Mário Souto Maior, que durante muitos anos, esteve à frente da Coordenadoria dos Estudos Folclóricos, da FUNDAJ, foi exemplo de dedicação ao folclore. Dicionário do Palavrão, Nomes próprios pouco comuns, Comes e bebes do Nordeste, Assim nasce um cabra da peste são alguns das dezenas de títulos do referido pesquisador, que também escreveu para o público infantil.
O professor de Educação Infantil (creche e pré-escola) e, principalmente, o de Educação Fundamental (1ª a 8ª série) tem no folclore panos para as mangas. Conteúdo significativo para trabalhar, não apenas no mês de agosto, mas o ano todo, todo ano. Não só os temas integrantes da pluralidade cultural, como diferentes conteúdos, das áreas específicas do conhecimento, podem ser abordados a partir de um fato ou manifestação folclórica. Os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais (2) garantem a interdisciplinaridade que, naturalmente, aflora ao se vivenciar fatos folclóricos na sala-de-aula.
Numa receita de culinária típica, feijoada por exemplo, o professor de 1ª a 4ª série pode trabalhar:
* Português - escrita e leitura do texto, tipografia textual, conteúdos gramaticais.
* História - localização temporal da receita.
* Geografia - localização espacial da origem ou aceitação coletiva da feijoada.
* Ciências - valor nutritivo da receita e seus ingredientes, origem dos mesmos
na natureza.
* Matemática - medidas de massa e volume implícitas nos ingredientes.
* Artes - desenho da receita, dramatização de uma cena da família se alimentando.
Se a turma for de 5ª a 8ª série, o professor pode ainda abordar:
* Química - composição química de alguns ingredientes da receita.
* Física - relação entre temperatura e o cozimento da feijoada.
* Inglês - traduzir a receita para o Inglês ou outra língua estrangeira.

O professor, vivenciando o folclore em sala-de-aula, pode desenvolver projetos didáticos os mais variados possíveis e cobrindo diferentes períodos do ano letivo de 200 dias ( 800 horas-aula) conforme determinação da LDB-Lei de Diretrizes e Bases da Educação. (3)
1.      ciclo carnavalesco (fevereiro/março)
2.      tempo e folclore (março)
3.      ciclo quaresmal (março/abril)
4.      folclore e mulher (maio)
5.      ciclo junino (junho)
6.      folclore na estrada (julho)
7.      folclore (agosto)
8.      folclore e vegetais (setembro)
9.      folclore infantil (outubro)
10.   folclore de vida e morte (novembro)
11.   ciclo natalino (dezembro)
podem ser abordados em projetos didáticos e garantidos pela motivação que emanam das manifestações folclóricas, rendendo-se a seus encantos, educandos e educadores.

Atividades de pesquisa, escrita e reescrita, leitura e releitura, desenho, dramatização, confecção, fotografia, gravação e filmagem são formas possíveis de vivenciar folclore em sala-de-aula, nas diferentes séries do Ensino Fundamental, da rede pública e privada. Um outro recurso, a entrevista, talvez, seja a atividade mais científica de se vivenciar o folclore no cotidiano escolar, quando gerações diferentes conversam, ensinam, resgatam, comparam, socializam experiências – Como era antes? Como é hoje ? – de diferentes fatos e manifestações folclóricas, reproduzindo, na escola, a dinâmica do folclore existente desde os primórdios da humanidade, quando traços culturais passaram a diferenciar o homem dos outros animais.
Referências Bibliográficas
(1) CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 3ª Ed.Brasília: Ministério da Educação e Cultura/Instituto Nacional do Livro. 1972.
(2) PCN-Parâmetros Curriculares Nacionais. Vol 10. Pluralidade Cultural e Orientação Sexual. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.
Brasília. 1997.
(3) LDB-Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei Federal nº 9394, de 20/12/1996.
(*) Série FOLCLORE - nº 288 - agosto/2001.
www.usinadeletras.com.br publicado em 07/07/2002.
www.thelmaregina.blogspot.com